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Sulivã Bispo volta a cartaz no Teatro Sesc Senac Pelourinho com o solo Kaiala

Sulivã-Bispo Geledés

Em meio a fase de retomada das atividades artístico-culturais, o ator Sulivã Bispo volta a cartaz com seu solo KAIALA que há seis anos tem evocado o debate sobre o racismo e a intolerância religiosa que atravessa o cotidiano dos corpos pretos. Finalizando as atividades celebrativas do Mês da Consciência Negra, o espetáculo será apresentado presencialmente no Teatro SESC SENAC Pelourinho, nos dias 25 e 26 de novembro, às 19h, com ingressos a preços populares (R$ 10,00 – inteira, R$ 5,00 – meia entrada e R$ 8,00 – para clientes do SESC).

Em cena, sob a direção de Thiago Romero, o ator transita entre a intolerância religiosa, o infanticídio e o racismo para dar contorno ao seu primeiro trabalho solo. A obra conta a história do assassinato de uma menina de 10 anos durante a invasão de seu terreiro por um grupo de evangélicos, se baseando em três pontos de vista: o do seu irmão-de-santo; da sua avó, que ao mesmo tempo é sua ialorixá; e da evangélica que lidera o ataque ao terreiro, que também é a algoz da criança. A narrativa traz depoimentos e memórias dos três locutores, fazendo com que o espectador perceba na transição narrativa aspectos da religião, do crime cometido e da resistência do povo negro.

A peça apresenta a divindade Kaiala, inquice do candomblé-Angola, e é usada como metáfora para tratar de temas como a intolerância, resistência, preconceito e genocídio do povo negro. Dentro da tradição bantu, Kaiala tem as águas como seu domínio. “Kaiala é um alerta do que não pode mais acontecer. É a grande força maternal, que cuida das cabeças e vem passar essa mensagem. Ela traz para a dramaturgia a visão de divindade de maneira muito bela e singela e faz um paralelo com esse momento tão triste que estamos vivendo de intolerância religiosa no país”, explica Sulivã.

O embrião do espetáculo, que também busca no humor como uma forma de conscientização, nasceu numa atividade apresentada no Ato de Quatro – um projeto da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – que consiste na criação de cenas de 15 minutos. Com “Kaiala”, Sulivã ganhou o Prêmio Braskem de Teatro de 2016 na categoria Melhor Ator.

Diante dos impedimentos causados pela pandemia de Covid-19, o espetáculo foi reelaborado para o formato digital, quando ganhou um registro feito no Terreiro Bate Folha, em março de 2021, a partir do projeto Ngunzo Kaiala aprovado no edital Prêmio das Artes Jorge Portugal | Lei Aldir Blanc Bahia. Agora, para a presencialidade, o texto e a encenação de KAIALA foram revisitados, com o acréscimo de novas cenas e músicas.