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Obras públicas são as que mais provocam desapropriação em terreiros de candomblé, diz associação

Foto:  Metro 1
Foto: Metro 1

“O Orixá da casa, a divindade permite?”, essa é a primeira pergunta que deve ser feita antes de qualquer mudança em um terreiro, afirma Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA).

O questionamento de Monteiro reforça a decisão do babalorixá Ricardo Barabadá de não deixar que o seu terreiro, Ilê Asé Ayê Kô, em Simões Filho, seja desapropriado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo Barabadá, o terreno, comprado em 2016, foi escolhido justamente por um pedido de Obaluaiyê, seu orixá.

O presidente da AFA reforçou que, por se tratar de um local com propósito sagrado, não é possível pensar em alterações sem considerar as divindades que ali existem. “A  gente precisa ir no jogo, perguntar à entidade se aquele templo pode ser deslocado dali. Um templo religioso não é construído apenas levantando as paredes”, afirma.

Monteiro revela ainda que, na maioria dos casos de desapropriação, são órgãos públicos que estão envolvidos. Ele citou o caso de desapropriação de terreiros na região da construção do novo sistema viário do subúrbio de Salvador. Neste caso, Monteiro conta que eles venceram o caso e a construção teve a rota alterada.

O presidente da AFA também explica que muitas vezes os terreiros não possuem registro próprio, por historicamente terem sido construídos em periferias. O que não é o caso do terreiro Ilê Asé Ayê Kô, comprado por Barabadá em 2005. “Nesses casos, o que tem que ser feito é saber quando ele comprou, como está essa documentação. Precisamos ver exatamente que documentação é essa que comprove a posse”, explica.