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Novos cuidadores e intérpretes de libras são certificados em Camaçari

Foto: Jean Victor
Foto: Jean Victor

Na última segunda-feira (04), no Centro de Atenção Integrada à Criança e ao Adolescente (CAIC), 25 novos cuidadores e intérpretes receberam a certificação do Programa Cuidador Educacional. Implementado pela Prefeitura de Camaçari, através da Secretaria da Educação (Seduc), a ação visa integrar esses profissionais à rede municipal de ensino já a partir desta quarta-feira (06), quando passarão a atuar nas aulas em parceria com os professores. Caberá aos colaboradores qualificados promover a inclusão dos estudantes com comprometimento severo.

O Programa foi implementado conforme edital nº 001/2019, que dispôs sobre a contratação em Regime Especial de Direito Administrativo (REDA). A formação foi promovida pela Diretoria Pedagógica (Dipe), por meio da Coordenadoria de Inclusão Educacional, e aconteceu entre 8 e 24 de setembro. Foram certificados 23 cuidadores educacionais, um brailista e um intérprete de libras. A iniciativa aconteceu através de oficinas sensoriais, nas quais os educadores foram levados a vivenciar simulações de deficiências variadas.

Quanto à formação teórica, foram trabalhados conteúdos como: o cuidador educacional e a legislação; reflexão histórica sobre inclusão; a função do cuidador e intérprete; desenvolvimento infantil e aprendizagem; a importância do brincar na aprendizagem e o brincar inclusivo. Tudo isso em meio às visitas técnicas aos centros de ensino especializados na prática da educação inclusiva.

Neurilene Martins, chefe da pasta, falou como se sentia em relação ao desenvolvimento do projeto. “A gente olha e só o que a gente vê aqui é muita emoção”, ao falar da escola enquanto “lugar de sonho”, construído somente em coletividade. “Estamos falando aqui circunscritos a uma luta, pois quando assumi a secretaria em 2017 a educação especial já era uma demanda do município“, revelou.

Para concretizar a necessidade da inclusão escolar em Camaçari, foi preciso seguir as orientações indicadas pelo Ministério Público, criando cargos que até então não existiam. Para, só assim, poder abrir processos seletivos para provimentos de cargos direcionados à educação especial. A mãe do aluno João Lucas, Emily Falcão, criança diagnosticada com paralisia cerebral e microcefalia em decorrência da síndrome congênita do Zika Vírus, foi testemunha dessa transformação.

Emily manifesta sua satisfação com tudo o que estava vivenciando na tarde desta segunda. Quando, em 2019, matriculou seu filho no Centro Integrado de Educação Infantil (CIEI) Alma Mirim, em Arembepe, foi informada de que precisaria requerer um cuidador para acompanhá-lo, e que isso poderia demandar certo tempo. Mas, hoje, ela e sua família reconhecem que a realidade da educação inclusiva no município pode até ainda não ser a ideal, mas já é outra. “Estou vendo a proporção que isso tomou em Camaçari, são mais de 20 pessoas sendo formadas e eu fazer parte disso é de enorme gratidão e satisfação“, afirmou.

Nadja Basílio, pedagoga responsável pelo Programa Cuidador Educacional, destaca a principal demanda a fim de viabilizar o projeto pedagógico da escola para a educação inclusiva, é que de fato eles cheguem para dar suporte aos educandos. “Cuidar das crianças especiais, no que se refere tanto à parte higiênica e de limpeza na vida diária, como nas atividades adaptadas, trabalhando em conjunto com o professor, para poder ampliar a aprendizagem dessa criança“, explicou.

Em relação aos intérpretes, Roseli Cruz, pedagoga responsável por Libras no Programa Cuidador Educacional, destaca que o foco é a comunicação. “Todo processo de compreensão do mundo vem por meio da língua, e a língua de sinais vem para sala de aula por meio do intérprete para preencher essa falta que ele tem em meio à sociedade“, pontuou.

Para a cuidadora Laiane Araújo, entender o que é a inclusão no processo formativo vai muito além do que se imagina. “Isso mexe tanto na nossa formação técnica, e também enquanto pessoa. Passei a pensar diferente, principalmente vendo a criança especial como uma pessoa capaz”, reconheceu.

Além de diretores escolares, coordenadores, professores, famílias, alunos com deficiência e demais cuidadores da Seduc, a Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude (Sejuv) fez-se presente por meio do seu coordenador de esporte, Adelson Vitoriano.