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Música, poesia, dança, roda de capoeira e exposição marcam o Recital Vozes Negras

Foto: Fernanda Tavares
Foto: Fernanda Tavares

O recital Vozes Negras fez ecoar o som da negritude do povo de Camaçari, celebrando a multicultura ao mesmo tempo que denuncia os problemas sociais. O evento aconteceu na noite da última sexta-feira (19.11), no foyer do Teatro Cidade do Saber, o mês da Consciência Negra, imprimiu a diversidade da cultura ancestral afro-brasileira, através das diferentes linguagens artísticas, abordando sobre racismo, resistência e igualdade racial.

Quem chegou ao Foyer da cidade do saber foi de cara presentado com um uma roda de capoeira na entrada, o músico Jorge Abelha fez belíssima apresentação e foi aplaudido pelo público presente. Em seguida Ivanildo Antonio, Uilians Souza e outros poetas recitaram poemas que refletem o sentimento e as experiências vividas. Sobre representatividade não poderia falta a dança e um belo desfile de turbante, apresentado por Kaká da Flor.

Na oportunidade, ainda foi aberta a segunda temporada do projeto “Das Telas às Imagens – Identidade Cultural Por Cada Um de Nós”, que reúne obras do fotógrafo Arthur Seabra e dos artistas plásticos Antônio Borges, Bruno Nunes, João Borges e Nilson Carvalho.

As esculturas de João Borges, feitas apenas com barro e tinta deram um show a parte, o público presente prestigiou, elogiou o artista que é também professor de filosofia e Babalorisá, conta como essa noite é significativa e representativa para o povo negro. “É uma felicidade muito grande, a gente está reafirmando a nossa identidade através de elementos ancestrais, do elemento mais prioritário desse sentido que é o barro, a terra, extremamente importante para o nosso viver, relata.”

Escute a entrevista cedida ao Portal Cidade Satélite

Para o poeta Uilians Souza, essa data deve ser vista também como motivo para celebrar. “É uma data de denúncia mas também é uma data de comemoração, como sinônimo de celebração, celebração de nossa existência, pontua”. Ele ainda acrescenta da importância desses momentos, ‘para que o povo negro ocupe vários espaços e âmbitos da sociedade’. Sobre o sentimento de recitar em um evento como esse Uilians destaca a emoção, “A cada vez que a gente recita um poema que retrata as nossas questões, a gente não deixa de se emocionar, porque a gente fala das  nossas dores, mas também das nossas alegrias”, pontua.

Ouça a entrevista completa cedida ao Portal Cidade Satélite

Representando a secretaria da Cultura (Secult), o subsecretário da pasta e também presidente do Conselho Municipal de Cultura, Luciel Neto, destacou a importância do reconhecimento de pessoas que são combativas historicamente, pela luta negra em Camaçari. “Infelizmente ainda nos deparamos, nos dias atuais, com casos de racismo. As pessoas perderam o receio de mostrarem quem são, por isso nossa luta é árdua e diária. Referenciando o músico Emicida, em seu documentário AmarElo, é nós por nós!”.

O Vozes Negras contou com roda de capoeira, música ao vivo, performance de dança, e declamação de poesias. O assistente administrativo Adilson Soares prestigiou o evento e ressaltou a união das diferentes linguagens artísticas. “Eventos como esse são muito importantes por movimentar a cena cultural da cidade. É muito bom poder conhecer o trabalho de novos artistas de diferentes vertentes”.

Para Isabela Maria Reis, o formato do recital permitiu que o público dialogasse com os artistas. “Acho interessante, principalmente por, de forma lúdica, podermos tratar sobre um assunto tão relevante como a luta racial”, pontua a estudante.

O recital Vozes Negras foi promovido através do Núcleo de Produção do Teatro Cidade do Saber, em atenção a uma das metas do programa Cultura Todo Dia, que é democratizar o acesso à arte e promover a cultura local.