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Clima tenso na Câmara de Salvador após vereadores rebaterem Rui Costa sobre decisão do carnaval

Foto: Câmara Municipal de Salvador
Foto: Câmara Municipal de Salvador

Após o governador Rui Costa (PT) afirmar que não aceitará “ultimato” para se manifestar sobre a possibilidade de realização do Carnaval, o vereador Claudio Tinoco (DEM) respondeu, em nota, que o chefe do Executivo estadual tem “essência autoritária”. A fala de Rui foi uma reação ao relatório da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada dos Eventos da Câmara Municipal, da qual Tinoco é presidente, que estabelece um prazo de cinco dias [até a próxima segunda, 15] para que ele o prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), decidam se haverá ou não condições para a festa momesca.

O documento, aprovado na segunda-feira (8), lista ao todo 11 recomendações direcionadas aos dois gestores. Entre as sugestões está a de que a folia tenha no máximo sete dias, em vez dois oito tradicionais.

“O ex-vereador da Capital e hoje governador da Bahia mostra mais uma vez sua essência autoritária ao desqualificar a Câmara Municipal de Salvador. Nossa recomendação está lastreada na técnica, na análise responsável dos indicadores oficias da pandemia, na transparência, na participação da sociedade, na razoabilidade e na impessoalidade”, afirmou Tinoco.

Segundo ele, as recomendações foram construídas após a realização de duas audiências públicas que debateram a realização de eventos na capital e que reuniram entidades representativas da festa, tanto de blocos e camarotes, como de cordeiros e ambulantes, por exemplo.

“Protocolamos hoje o pedido de audiência com o governador para tratarmos pessoalmente sobre as recomendações apresentadas no relatório da Câmara. Mas recebemos essa agressiva resposta pública. Só recomendamos e queremos respostas objetivas do governador. Por exemplo, quais são os indicadores da pandemia que ele se refere, seus valores históricos e a serem alcançados para realizar o Carnaval?”, questionou Tinoco.

O vereador também criticou a gestão de Rui Costa na área da cultura. “O governador nunca demonstrou gosto pela Cultura, pelo Turismo e pelos eventos. O governo tem uma grande dívida com atrações, produtores e fornecedores de festas de carnaval e São João há dois anos e anda fugindo dos credores. Rui não quer ajudar em um evento feito majoritariamente pela Prefeitura administrada por um prefeito de outro partido em ano eleitoral. É uma posição meramente política e personalística”, afirmou Tinoco.

“Tempo do coronelismo não tinha acabado?”

Também em nota, o vereador de Salvador Daniel Alves (PSDB) rechaçou a fala do governador Rui Costa, relacionando-a uma prática do “coronelismo”. “O governador precisa respeitar a Câmara Municipal. Assim como ele foi votado pelo povo, os vereadores também. A Câmara apenas recomendou a ele e ao prefeito. Uma sugestão, pois a cidade está hoje com 98% do público-alvo vacinado com a primeira dose. Índice altíssimo de vacinação, com todos os indicadores caindo. Não é razoável que ele faça ataques à Câmara dessa forma. O tempo do coronelismo não tinha acabado?”, indagou Alves.

O vereador tucano insinuou que, se o governador soubesse planejar, já teria substituído seus secretários interinos, os quais não mencionou nominalmente. “Até porque cancelar evento é melhor do que não programar. Rui tem quatro chefes de pastas importantes interinos. Até hoje não trocou. Seria também falta de programação?”, ironizou.