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Bahia registra 18 casos de doença que deixa ‘urina preta’

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Desde o início do ano, a Bahia registrou 18 casos da Doença de Haff, caracterizada pela coloração escura da urina das pessoas acometidas pela enfermidade. Os dados são da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

As notificações foram feitas nos municípios de Alagoinhas (5), Salvador (13), Maraú (1), Mata de São João (1), Simões Filho (1) e São Francisco do Conde (1).

De acordo com a Sesab, os 18 casos confirmados entre janeiro e outubro deste ano, são de pacientes de 20 a 79 anos. A faixa etária com mais número de casos é de 35 a 49 anos com sete registros (38,9%), seguida da faixa etária de 20 a 34 anos, com cinco casos (27,8%), e de 50 a 64 anos (22,2%). Entre os casos confirmados 66,7% foram do sexo masculino.

Entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017 foram notificados 71 casos de doença de Haff nos municípios de Salvador, Vera Cruz, Dias D’Ávila, Camaçari, Feira de Santana e Alcobaça. Foram registrados dois óbitos, sendo um de residente de Salvador e outro residente de Vera Cruz, ambos com comorbidades.

Já em 2018 e 2019, conforme o órgão de saúde, não houve notificações da doença relatados pelas instituições de saúde.

Doença

A doença de Haff se caracteriza por ocorrência de extrema dor e rigidez muscular, dor torácica, além de falta de ar, dormência e perda de força em todo o corpo, podendo causar falência renal. Pessoas com a doença apresentam urina na cor de café, causada pela elevação da enzima CPK, associada à ingestão de pescados.

A enfermidade é causada por uma toxina que pode ser encontrada em peixes como o tambaqui, o badejo, a arabaiana ou em crustáceos, como a lagosta, o lagostim e o camarão. Como ela é pouco estudada, acredita-se que esses animais possam ter se alimentado de algas com certos tipos de toxinas que, consumidas pelo ser humano, provocam os sintomas. Contudo, a toxina, sem cheiro e sem sabor, surge quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada.

O quadro descrito nos pacientes graves é compatível com a rabdmiólise, doença que destrói as fibras que compõem os músculos do corpo. Quando associada ao consumo de peixes, a síndrome é conhecida como Doença de Haff.