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“As tranças são realmente uma libertação para mulher preta”, relata a trancista Lucicláudia

Foto: Divulgação
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Devido a crise de 2020, com a Pandemia do Covid-19, Lucicláudia Pires assim como outros empreendedores se viu obrigada a fechar seu espaço de trabalho, onde ela era instrutora de Zumba. Para continuar ganhando seu próprio dinheiro, ela encontrou em sua habilidade natural de fazer tranças uma nova opção de empreender.

Ela sempre trançava os cabelos de suas filhas, porém quando alguém elogiava o seu trabalho e sugeria que ela fizesse isso profissionalmente, Lucicláudia sempre recusava, considerava muito trabalhoso ser trancista. Porém em junho de 2021, após sofrer um corte químico devido ao uso de produtos para alisar o cabelo associado a tintura ela resolveu tranças o próprio cabelo. Essa experiência fez com que ela se apaixonasse pelas tranças e começasse a servir de inspiração para outras mulheres.

“Foi aquela paixão, realmente as tranças, traz um empoderamento muito grande para nós mulheres”, relata.

O dinheiro que a principio ela não queria ganhar, devido ao trabalho que dá ser trancista é o que vem sustentando Lucicláudia. Mas não é apenas o dinheiro que a motiva. Levar autoestima e amor próprio as mulheres tem a feito se sentir de fato realizada.

“A cada cabelo que a gente faz, a gente se apaixona ainda mais pela profissão, por entender que não se trata simplesmente de cabelo, se trata de autoestima, de empoderamento”, pontua.

Ela conta que muitas de suas clientes estão passando por transição capilar, com desejo de se libertar de produtos químicos e sair do ‘padrão’ imposto por muitos anos, de ter os cabelos alisados. Porém isso pode se tornar um sofrimento, principalmente se as mulheres começam a comparar seus resultados com a de outras. Por isso além de trançar os cabelos a trancista ajuda na construção da auto-estima das mulheres negras, com palavras de incentivo e encorajamento. ‘Eu tô sempre ali apoiando é uma fase, vai crescer, vamos colocar a trança que vai estimular o crescimento’.

“Quando eu finalizo o meu trabalho elas saem se achando, se amando, trocam logo a foto de perfil”, conta.

Depois desse tempo trabalhando com as tranças ela enxerga seu trabalho como transformador de mulheres, quebra de estigmas e uma oportunidade de reunir a coragem necessária para assumir a cultura negra, se apoiando umas nas outras.

“As tranças são realmente uma libertação para mulher preta, uma libertação para as mulheres que não querem mais estar dentro do padrão”, revela.

Ela ainda relata que a cada cabelo que faz uma vai indicando a outra e não apenas as mulheres negras aderiram as tranças, mulheres brancas, de cabelos lisos também começam a achar a cultura afro bonita e a procuram para fazer as tranças, o que ela considera um ponto positivo.