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Mulheres são mais afetadas pela PEC 287, destaca especialista em Direito Previdenciário

Ana Isabel é especialista em Direito Previdenciário. Foto: DICOM Câmara de Camaçari.
Ana Isabel é especialista em Direito Previdenciário. Foto: DICOM Câmara de Camaçari.

Entre os palestrantes convidados para a Audiência Pública sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287 de 2016, realizada pela Câmara de Vereadores de Camaçari, nesta segunda-feira (20/03), a especialista em Direito Previdenciário, Ana Isabel Jordão, destacou que as mulheres são mais afetadas de forma negativa pela Reforma da Previdência.

Entre os pontos destacados por Isabel Jordão está a equiparação da idade mínima para aposentadoria entre homem e mulher. “Com o argumento de que a estaria acabando com “distorções” ao propor a mesma idade para aposentadoria querem na verdade acabar com o mecanismo que visa compensar minimamente as mulheres pelas inúmeras injustiças que sofrem ao longo de sua vida, a exemplo da dupla ou tripla jornada de trabalho”, opinou.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014 apontam que 88% das mulheres ocupadas com mais de 16 anos realizam trabalhos domésticos, enquanto que, em relação aos homens, a estatística é de 46%. “As mulheres trabalham mais ao longo da vida e, mesmo aposentadas, seguem cumprindo socialmente com as tarefas não pagas”, disse Isabel.

“A PEC ainda ignora que mulheres são mais mal remuneradas”, lembrou Isabel. O PNAD revela ainda que as mulheres inseridas no mercado formal de trabalho têm renda mensal, em média, que corresponde a 75% da renda masculina. No mercado informal de trabalho a renda das mulheres é de 65% da dos homens.