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Mais que frutos, horta da Escola Parque Verde transforma rotina de alunos

Foto: Ascom/PMC
Foto: Ascom/PMC

Plantar e colher são processos naturais em uma horta, mas o que ninguém pode imaginar é a qualidade e quantidade dos frutos que ela pode gerar. Em Camaçari, na Escola Municipal Parque Verde, o processo de colheita do projeto Horta na Escola foi muito além do esperado. Mais do que proporcionar novas experiências e oportunidades de aprendizagem aos alunos, a unidade construiu um elo de integração entre alunos, educadores e a comunidade.

Apesar de contemplar alunos de variadas turmas, o projeto está prioritariamente direcionado aos estudantes do 6º ano, formado por 53 jovens na faixa de 11 a 13 anos. A relação interdisciplinar é uma das características marcantes da iniciativa, que também permite a participação das crianças durante toda a rotina de manutenção de uma horta, desde a limpeza com a retirada das ervas daninhas, até o plantio e a colheita. Outro aspecto importante é o envolvimento das famílias nesse processo que resulta no fortalecimento de vínculo entre pais e filhos, bem como com os demais membros da comunidade escolar.

Idealizado pela professora de ciências, Milena Medrado, o Horta na Escola iniciou no final de março com a limpeza de uma área verde da unidade escolar, feita com auxilio da comunidade. “Integrei uma empresa que desenvolvia um projeto de educação ambiental junto a escolas com a montagem de hortas e percebi nesse tempo a dificuldade de continuidade da horta, pois demanda muito trabalho e precisa de engajamento não apenas dos alunos, mas dos professores e demais funcionários”, explicou.

“Em 2017 eu vim pra área de educação e senti vontade de viver a experiência estando do outro lado. Esse foi um passo importante para quebrar um pouco a forma como o sistema educacional se organiza, sempre muito concentrado em sala de aula. Diante dessa necessidade dos alunos saírem um pouco e vivenciarem experiência ao ar livre, terem contato uns com os outros e com a natureza, de poder de fato mexer na terra, é que nos organizamos e colocamos em prática esse ano”, complementou Milena.

A professora de história, Mariana Oliveira, que também se engajou no projeto, ressalta que tem conseguido relacionar a experiência dos alunos na horta com assuntos da disciplina. “Quando o projeto foi apresentado para mim, logo casei com o conteúdo do 6º ano que tem conexão com a dinâmica do homem com a terra, afinal todo nosso desenvolvimento vem a partir da sedentarização, quando o indivíduo passa a habitar de forma fixa a partir das práticas agrícolas”, explicou ao acrescentar que o projeto é algo que faz os alunos se envolverem. “É importante trazer algo que está no cotidiano deles de alguma forma, com isso eles entendem que a escola está inserida nesse processo”, concluiu.

A horta funcionou como um tema gerador e trouxe diversas outras questões para serem trabalhadas. Por ser uma atividade livre em que os alunos conversam com professores enquanto mexem na terra, eles compartilham fatos da rotina deles, relatam experiências sobre plantios vivenciadas em ambiente familiar, e muitas vezes abordam questões pessoais. A partir daí, a relação interdisciplinar foi reforçada com a presença do professor de filosofia, Dejalma Ferreira, que começou a trabalhar com desenhos, com valores humanos, a exemplo do cuidado com o meio ambiente e consequentemente consigo mesmo, e passou a desenvolver atividades como a construção de textos e relatos.

Percebendo a importância de trabalhar o emocional das crianças, a escola buscou outra importante parceria, dessa vez com o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), que vai desenvolver trabalhos junto aos alunos e professores como forma de  identificar  crianças e adolescentes que precisam de acompanhamento.

A diretora da unidade, Ivana Lima, explica que “ninguém pensou que uma horta teria um impacto tão positivo e uma abordagem tão ampla junto aos alunos, e nós estamos trabalhando pra corresponder a essas demandas”, disse ao citar: “a horta está presente em diversos momentos da escola, a exemplo da Campanha do Setembro Amarelo, quando os alunos escolheram os girassóis, um dos itens cultivados, como símbolo e debateram sobre o suicídio e a necessidade da prevenção, de estar atento ao outro”, concluiu.

Marcos Pablo Andrade, 13 anos, é autista e além de ter garantido o direito de ser incluído em um ambiente escolar, está entre os alunos que são beneficiados com o Projeto Horta na Escola. “O que eu mais gosto de fazer é de mexer na terra e cavar para plantar legumes. Eu até trouxe mudas de babosa, hortelã e quioiô. O Dia da Família foi o melhor, eu plantei junto com minha mãe. Fico feliz quando estou na horta”, disse o estudante.

Gustavo Lopes, 12 anos, também foi transformado pelo projeto. “Faço parte desde o início, quando ainda era só terra. Antes da horta não cuidava do meio ambiente, jogava lixo em qualquer lugar. A partir dela tudo mudou, eu desenvolvi mais coisas na minha casa, deu pra plantar muitas coisas em minha casa, pois o meu quintal é bem grande, tudo o que você imaginar tem”, disse empolgado. “Minha mãe gostou muito. A gente nem sai de casa pra comprar verduras. Quando ela chega do trabalho no final da tarde é quando temos tempo livre pra cuidar da horta juntos, e esse é um momento muito bom”, concluiu, afirmando que compartilha tudo que aprende na horta com familiares e amigos.

O primeiro plantio da horta ocorreu em abril e foi feito com as crianças. Em junho ocorreu o segundo, dessa vez com a presença de professores, funcionários e alunos. A ação foi em alusão a Semana de Meio Ambiente. Em agosto, num dia dedicado à família, os estudantes contaram com o auxílio dos seus pais para fazerem mais um cultivo. Nesse dia, a horta se tornou uma sala ao ar livre, sendo uma das salas temáticas do evento.

Em uma área de cerca de 70 metros quadrados foram plantados cerca de 20 tipos de sementes e mudas, dentre elas de coentro, cebolinha, tomate cereja, quiabo, manjericão, alecrim, pimenta biquinho, girassóis, capim santo, berinjela, alface, couve, rúcula, hortelã grosso e miúdo, quioiô e boldo.

A Escola Municipal Parque Verde conta atualmente com 499 estudantes do ensino fundamental I e II, divididos em dois turnos. O Horta na Escola está inserido no projeto de sustentabilidade da escola que engloba outras ações e faz parte ainda do programa de Apoio Pedagógico da Secretaria da Educação que tem como foco o estímulo à leitura e escrita.

Fonte: Agência de Notícias – Prefeitura de Camaçari