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Líder religioso baiano é acusado de de abusos psicológicos e sexuais por 14 mulheres

Foto: Reprodução
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Uma série de denúncias de abusos sexuais e psicológicos contra mulheres cometidos por um líder espiritual na Bahia é investigada pelo Ministério Público do estado (MP-BA). Jair Tércio, fundador do imutabilismo e ex-grão-mestre de uma loja maçônica no estado, é acusado de submeter um grupo de 14 ex-seguidoras a uma rotina de abusos psicológicos e sexuais.

Engenheiro de formação, Jair Tércio é conhecido por desenvolver uma doutrina pedagógica que é estudada em retiros espirituais promovidos por ele toda semana. Ele fundou a Fundação Ocidemnte em 1980. De acordo com a reportagem, as denúncias contra Tércio começaram a aparecer nas redes sociais no final de junho e chegaram à Ouvidoria das Mulheres, órgão do Conselho Nacional do Ministério Público, e ao Projeto Justiceiras, que reúne 3.500 voluntárias, entre psicólogas, advogadas e assistentes sociais.

Uma das primeiras mulheres a se apresentar como vítima de Tércio, Tatiana Badaró compartilhou nas redes como teria sofrido com os abusos entre 2002 a 2014. “Ele sempre se coloca nesse lugar de iluminado: reencarnação de Moisés e Jesus Cristo. Ele dizia que eu era uma mulher que tinha que apanhar do marido. Todo tempo um terrorismo psicológico, uma ameaça de retaliação espiritual… Porque ele nunca diz que ele vai fazer, ele diz que a espiritualidade vai resolver, a espiritualidade vai te cobrar porque você teve a chance de viver perto de um iluminado e não aceitou”, relatou.

De acordo com a CNN, durante uma live, uma segunda vítima afirmou que foi sendo “apagada” enquanto frequentava as atividades lideradas por Jair Tércio. “Há uma reprogramação mental. Essa é uma característica desses sociopatas, né? Ele vai apagando e reprogramando você. [Eles te convencem a entender que] tudo o que está acontecendo na sua vida é porque você não se espiritualizou o suficiente. Eles dizem que são retiros religiosos, mas são viagens para que você seja reprogramado. Você vai ao limite da exaustão física. No exaurir do físico seu psicológico está totalmente vulnerável a qualquer tipo de ideia [imposta]. Então, é nesse momento que eles começam a dizer: eu vou te salvar de você mesma”.

Novos depoimentos do caso devem acontecer nas próximas semanas. No entanto, a promotora Sara Gama sinalizou que o caso vem sendo tratado como estupro e assédio, pelas relações entre Tércio e as supostas vítimas envolverem posições hierárquicas – o acusado é tratado como guru espiritual pelos seguidores.
Em nota, a defesa de Tércio declarou que os fatos narrados não condizem com a conduta do líder religioso, que nunca teria se valido de sua posição para lograr vantagens sexuais. “Todas as relações que [Tércio] teve em toda a sua vida foram consentidas e marcadas por carinho e afeto”, relatou a defesa.