Liberação da maconha ‘quebrava’ 80% das quadrilhas baianas, diz Barbosa

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As comparações com a Bahia após a intervenção militar na segurança pública no Rio de Janeiro são descartadas pelo secretário de Segurança Pública do Estado (SSP-BA), Maurício Barbosa. De acordo com o titular da pasta, a dinâmica de funcionamento das facções criminosas é diferente entre os dois estados. “O que é que nós queremos do governo federal: que consiga evitar que essa quantidade de droga e armas cheguem às nossas facções. O mapa do tráfico do Brasil está muito bem delineado. Se diz: ‘Ah, as facções criminosas vão sair do Rio de Janeiro por conta do Exército’.
Mentira absurda e deslavada de gente que não sabe do que está falando. No Brasil nós temos duas grandes especialidades: futebol e segurança pública. Todo mundo sabe um pouco de futebol e de segurança, todo mundo é especialista, todo mundo é entendedor”, critica Barbosa em entrevista ao Bahia Notícias, afastando a ideia de uma migração do crime para a Bahia. Entre os dois estados, uma diferença apontada pelo secretário é a fragmentação das facções baianas, sobretudo do tráfico de drogas.
“Nós temos dois grandes distribuidores de droga no país, que são de criação de outros estados, que não são dos nossos. E são essas facções que distribuem drogas para todas as facções do Brasil. O problema do tráfico de drogas na Bahia é a pulverização das ditas facções. Eu não consigo mais chamar de facção, mas de quadrilhas. Exemplo: Bonde do A, Bonde do B, Bonde do C. Cada um intitula o nome que quer. Aí você vai e prende uma grande liderança; no outro dia, o substituto dele intitula a facção com um novo nome: ‘Quadrilha do fulano’”, descreve, citando as brigas do tráfico no Subúrbio de Salvador, que chegam a ser encampadas por quatro “microfacções”.
As disputas decorrentes das atividades do tráfico de drogas, estima Barbosa, respondem por cerca de 70% dos homicídios registrados pela SSP – questionado sobre a solução para o problema, o secretário fez críticas à política de guerra às drogas e defende que a atuação do Estado deve acontecer “de forma sistêmica”. “Exemplo: as bases comunitárias de segurança. Eu não posso pensar em entrar em uma comunidade que hoje tem uma permanência muito grande no tráfico de drogas se eu não avançar com outras áreas. Porque assim, me desculpa a franqueza, a sociedade quer discutir a situação das drogas no Brasil? Por que quem é que financia isso tudo? Nós estamos falando de um mercado. Criminoso, mas é um mercado”. O secretário sinalizou ser favorável à descriminalização da maconha – mas aponta que valores conservadores impedem o Brasil de tomar uma decisão.
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