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Leonardo Padura, Pierre Lévy, Djamila Ribeiro e Lilia Schwarcz participam do Fronteiras do Pensamento Salvador

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Descobrir o verdadeiro sentido da vida é uma preocupação que movimenta diversas áreas de conhecimento, como filosofia, ciência e cultura. O debate é antigo, mas continua contemporâneo e sem uma definição, afinal a resposta é subjetiva. A temporada 2019 do Fronteiras do Pensamento pretende contribuir com essa reflexão e traz para Salvador as considerações do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura (06 de agosto), o filófoso francês Pierre Lévy (10 de setembro) e as escritoras brasileiras Djamila Ribeiro e Lilia Schwarcz (01º de outubro). O evento acontece na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA). As vendas dos ingressos do combo para os três dias estão abertas até 25 de julho e custam R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia). Já o ingresso avulso estará disponóvel a partir do dia 26 de julho e custa R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

Cientista político e curador do Fronteiras do Pensamento, Fernando Schüler destaca que o aumento da expectativa de vida e o aparecimento de novos conflitos atualizaram a busca por uma resposta para o sentido da existência. “O mundo contemporâneo recoloca o tema em um universo novo. Em primeiro lugar, vivemos mais. Em segundo, somos mais urbanos, mais educados e plenos de informação. Vivemos a integridade de uma ‘sociedade reflexiva’, na expressão de Anthony Giddens, em que há muito se perdeu qualquer possibilidade de consenso em torno de valores fundamentais nos planos da ética ou da estética”, pondera.

Ao mesmo tempo, a procura por uma razão para a existência pode ajudar a sociedade a encontrar alguma forma de ordem, de estabilidade e segurança para o mundo contemporâneo. “É uma ilusão imaginar que o pensamento ou a filosofia nos oferecerão um caminho seguro sobre como lidar com a incerteza e o caos que residem na alma da vida contemporânea. Mas é possível que a reflexão nos ofereça, quem sabe, não as grandes respostas, mas as perguntas que valem a pena serem feitas”, complementa Schüler.

Surgem questionamentos sobre o que seria uma vida interessante e em que mundo queremos viver. Reflexões como essas ajudam a criar uma sociedade mais igualitária e consciente do seu papel. O Fronteiras do Pensamento tem esse tom provocador, de causar inquietude no público e estimular o pensamento crítico.

Confira a programação

06 de agosto, às 20h30: Leonardo Padura (Cuba, 1955)

Padura é romancista e jornalista. Considerado um dos melhores autores de Cuba, escreveu roteiros para o cinema e atuou por 15 anos na área do jornalismo investigativo. Pós-graduado em Literatura Hispano-americana pela Universidade de Havana, se dedica exclusivamente à literatura desde 1995. Agraciado pelo governo espanhol com a dupla nacionalidade, prefere continuar vivendo na ilha onde nasceu. Ganhou reconhecimento internacional com a série de romances policiais “Estações Havana”, composta por “Passado perfeito”, “Ventos de quaresma”, “Máscaras”, “Paisagem de outono”, que já foi traduzida para mais de 15 países. Em 2011, publicou “O homem que amava os cachorros”, best-seller considerado a sua obra-prima e que narra o assassinato do revolucionário russo Leon Trótski, além de fazer críticas ao regime cubano. No Brasil, também lançou “Hereges”, que aborda a perseguição aos judeus. Seu mais recente livro, “Água por todas partes: Vivir y escribir en Cuba”, ainda não foi publicado no Brasil e traz ensaios sobre seu trabalho como escritor. Leonardo Padura acredita que o gênero policial permite abordar os maiores problemas da sociedade, como corrupção, repressão e pobreza. Pelo conjunto de sua obra, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias das Letras e o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba.

10 de setembro, às 20h30: Pierre Lévy (Tunísia, 1956)
Lévy é um reconhecido pesquisador das tecnologias da inteligência e investiga as interações entre informação e sociedade. Mestre em História da Ciência e Ph.D. em Comunicação e Sociologia e Ciências da Informação pela Universidade de Sorbonne, é um dos mais importantes defensores do uso do computador, em especial da internet, para a ampliação e a democratização do conhecimento. Seu foco de estudo se concentrou na área da cibernética e da inteligência artificial. Em 1987, lançou seu primeiro livro, “A máquina Universo – Criação, cognição e cultura informática”. Também é autor de “A inteligência coletiva, O que é virtual?” e “Cibercultura”. Tornou-se mundialmente conhecido a partir de 1994 com a difusão de sua tese sobre a “árvore do conhecimento”, sistema criado junto com Michel Authier que é composto por um software de cartografia e pelo intercâmbio de conhecimentos entre comunidades, gerando uma enciclopédia virtual em constante transformação. Atualmente, é professor de Inteligência Coletiva na Universidade de Ottawa. Nas duas últimas décadas, está trabalhando na criação de uma linguagem universal na rede através do Information Economy Meta-Language (IEML). Segundo o projeto, o mundo vive a quarta revolução e chegará a um sistema semântico de metadata universal situado na nuvem, construído colaborativamente e capaz de orientar o futuro da comunicação digital. Pierre Lévy acredita que a cibercultura coloca o ser humano diante de um mar de conhecimento, onde é preciso escolher, selecionar e filtrar as informações, para organizá-las em grupos e comunidades onde seja possível trocar ideias, compartilhar interesses e criar uma inteligência coletiva.

01º de outubro, às 20h30: Djamila Ribeiro (Brasil, 1980)
Djamila é uma reconhecida ativista dos movimentos feminista e negro. Filósofa e acadêmica, tornou-se militante graças à influência do pai. O feminismo entrou em sua vida aos 19 anos, quando conheceu a ONG Casa da Cultura da Mulher Negra, em Santos, onde trabalhou por cerca de quatro anos. Atualmente, é um dos principais nomes do movimento no Brasil. Pesquisadora e mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Presença ativa nas redes sociais, possui mais de 400 mil seguidores no Instagram e participa de debates sobre os movimentos das mulheres e a luta por diversidade. Em 2019, foi convidada pelo governo francês a participar do programa Personalidades do Amanhã, projeto que escolhe um representante por país da América Latina e Caribe por sua projeção atual e impacto no futuro. Para Djamila Ribeiro, o empoderamento dos movimentos negro e feminista é resultado de um trabalho histórico, que vai ganhando mais relevância à medida que as pessoas adquirem mais consciência social. É autora dos livros “Quem tem medo do feminismo negro” e “O que é lugar de fala”, que vendeu 50 mil exemplares. Seus textos ressaltam os terríveis efeitos do racismo e por que esta é uma preocupação de toda a sociedade.

01º de outubro, às 20h30: Lilia Schwarcz (Brasil, 1957)
Lilia é uma das mais renomadas historiadoras do Brasil. Professora titular no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) e Global Scholar na Universidade de Princeton desde 2015, atua como curadora adjunta para histórias e narrativas no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e é colunista do jornal Nexo. É autora de “As barbas do imperador” (Prêmio Jabuti/Livro do Ano), “O sol do Brasil” (Prêmio Jabuti/Biografia) e “Brasil: uma biografia” (com Heloisa Murgel Starling, e indicado ao prêmio Jabuti/Ciências Humanas). Também é fundadora da editora Companhia das Letras junto com Luiz Schwarcz. Seu livro mais recente é “Sobre o autoritarismo”, lançado em 2019. Foi Visiting Professor em Oxford, Leiden, Brown e Columbia. Em 2010, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Científico Nacional. Apresentou, junto com o ator Dan Stulbach, em 2017, a minissérie “Era uma Vez uma História”, da Band. O programa apresenta, em quatro capítulos, eventos históricos desde a transferência da corte portuguesa até a abolição da escravatura no Brasil. Lilia Schwarcz afirma que o Brasil vive hoje uma recriação do racismo estrutural. Em 2018, a pesquisadora criou um canal no YouTube para discutir os assuntos que a transformaram em uma das maiores intelectuais brasileiras: questões raciais e história do Brasil.