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Fique em…? João Pedro é baleado aos 14 anos dentro de casa

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

A orientação de entidades de saúde do Brasil e do mundo é para ficar em casa, em quarentena e isolamento social, para evitar a proliferação do coronavírus.

No Brasil, onde morre um jovem negro a cada 23 minutos, de acordo com o Atlas da Violência, o que deveria ser direito de todos é considerado privilégio para alguns. Ficar em casa durante a pandemia não é seguro para grupos em vulnerabilidade social. Prova disto é o número crescente de violência doméstica nos últimos dois meses e a morte de João Pedro, adolescente de 14 anos, vítima de mais uma bala perdida no Rio de Janeiro.

João Pedro morreu durante uma operação conjunta, realizada ontem (18), das polícias Civil e Federal no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Grande Rio. O jovem foi baleado durante a ação e socorrido por um helicóptero.

A tag #procurasejoaopedro foi levantada nas redes sociais na tarde de ontem (18) até a manhã de hoje (19), porque segundo informações da família, após ser baleado na barriga, o jovem foi levado por um helicóptero sem a presença de qualquer familiar e não havia notícias sobre ele.

Militantes do movimento negro criticaram a ação dos policiais do Rio, que deixa mais uma criança assassinada.

“Ontem, João Pedro, levou um tiro na barriga. Alvejado pela polícia que mais mata na América Latina, enquanto estava dentro de sua casa. E sabe o que a polícia fez!? O que sempre faz: sumiu com ele. Sumiu com um garoto de 14 anos, escreveu Roger Cipó, militante, fotógrafo e colunista da Mídia Ninja.

No texto publicado durante a madrugada em seu perfil do Instagram, Roger Cipó ainda disse: São duas da manhã, e eu estou escrevendo essa porra chorando, porque eu sei que pesadelo é esse. Eu sei que a familia não vai dormir, e eu sei que, agora pela manhã, pode ser que tenhamos notícias terríveis sobre isso. Como pode ser que o Estado se apresente para dizer que não sabe nada, e nada pode fazer. ⁣

A assistente social e escritora baiana, Carla Akotirene, também se manifestou sobre o menino João Pedro: ‘Já foi encontrado na estatística de violência letal. Que dor!!’

Além de Akotirene, a filósofa Djamila Ribeiro fez uma publicação em seu perfil do Instagram. “Fiquem em casa, dizem. Pois João Pedro Mattos estava em casa, brincando com seus primos, quando seu corpo foi mutilado com as balas perdidas que só encontram corpos negros.

 

[…] João Pedro Mattos foi uma delas, juntando-se a Amarildo, Claudia, Ágatha e outras milhões de pessoas. Alvejado, e sob o risco de atrapalhar a sinfonia assassina entre polícia, governo e mídia, seu corpo foi subitamente colocado em um helicóptero, sem ninguém de sua família, que ficou dias sem saber seu paradeiro! Dias! […] João Pedro, presente!”

Ainda não foi divulgado se a equipe envolvida no episódio é de policiais civis ou federais. A ação visava cumprir dois mandados de busca e apreensão contra lideranças de uma facção criminosa. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí instaurou um inquérito para investigar a morte. Uma perícia foi realizada no local onde o jovem foi atingido. Duas testemunhas e os policiais envolvidos prestaram depoimento. As armas foram apreendidas para confronto balístico com o projétil que atingiu o adolescente.