Cultural Teatro

Espetáculo “O Mistério de Irma Vap” é apresentado no TCA

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O espetáculo “O Mistério de Irma Vap” é apresentado nesta sexta-feira (09/08) e sábado (10), às 21h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador.

A fotógrafa e produtora cultural Priscila Prade detém, desde 2009, os direitos autorais da peça. Em 2018, já com parte da equipe de criação definida, se associou ao também produtor Marco Griesi e, juntos, convidaram Jorge Farjalla para dirigir a nova encenação da comédia de Charles Ludlam.

“Imaginei essa história como um grande parque de diversão. Criei a trama acontecendo dentro de um trem fantasma, que é o fio condutor do espetáculo. Trouxe para essa montagem quatro jovens atores, nossos vodus, que fazem as trocas de figurino do Luis e Solano, executam parte da trilha sonora ao vivo e ajudam a contar a história”, revela Farjalla. Todas as trocas e mudanças no cenário acontecem na frente do público, nada é escondido. “Nossa montagem é uma homenagem ao teatro, aos atores que fazem a magia teatral acontecer”, conta Mateus Solano. “Improvisamos em cena, cantamos e dançamos também. A peça contextualiza o momento artístico que vivemos. Irma Vap nos tempos de hoje, em 2019”, destaca Luis Miranda.

“Irma Vap” é anagrama de vampira. O autor americano Charles Ludlam, que também fazia o espetáculo como ator, estreou “O Mistério de Irma Vap” em 1984, como peça-paródia de filme de terror. “O Mistério de Irma Vap” é um clássico da comédia americana. A primeira encenação brasileira estreou em 1986. A montagem se transformou em fenômeno mundial, entrando no Guiness World Book of Records como o espetáculo teatral que se manteve mais tempo em cartaz, com o mesmo elenco, em todos os tempos.

De onde vem a história de Lorde Edgar? Quem é Lady Enid, Jane e Nicodemo? São seis personagens na trama de suspense e terror cômico. O diretor propôs um prólogo. Luis e Mateus entram em cena, com o figurino base. Abrem as cortinas e começa o desenrolar da história de Lorde Edgar Montepico, que está radiante de alegria com a chegada de sua nova mulher, Lady Enid, fruto de uma fulminante paixão. Mas a criada Jane, leal à ex-patroa, já morta, não admite a possibilidade de alguém substituir o lugar de Irma Vap – a falecida mulher de Lorde Edgar – e se tornar a segunda Lady Montepico.

O cenário de Marco Lima é um trem fantasma, com o carrinho utilizado de forma manual, artesanal e mecânica. Tudo construído com madeira, ferro e materiais simples. As luzes do cenário piscam e as portas abrem e fecham. Na montagem, os quatro atores “vodus contrarregras” – Fagundes Emanuel, Greco Trevisan, Kauan Scaldelai e Thomas Marcondes – fazem a movimentação do cenário. Todo palco está aberto, mostrando a caixa cênica, sem bambolinas, sem rotundas, revelando o maquinário do teatro e não escondendo nada. “O cenário foi inspirado no filme de terror dos anos 80 “Pague para entrar, reze para sair”. É todo teatralizado”, detalha Marco Lima.

O figurino de Karen Brusttolin é todo feito à mão, por uma equipe composta por sapateiro, chapeleiro, costureira, bordadeira, designer de adereços e envelhecimento. O tecido utilizado foi o jeans, para dar um ar contemporâneo. São sete trocas de roupa, referências e universos diferentes que transitam desde a era medieval até David Bowie. “Temos trocas de roupas muito rápidas. O diretor optou por revelar essas mudanças ao público. Pensei que este figurino deveria ser feito em camadas, criei a roupa ‘base’ como bonecos de vodu. Depois disso fui lapidando cada roupa pensando nas necessidades de cada ator, para que essas trocas pudessem acontecer com fluidez”, conta Karen.

A iluminação de César Pivetti é quase uma personagem. São vários efeitos, 300 movimentos de luz. “Procurei usar algumas tonalidades que remetessem ao clima de trem fantasma e escolhi dois tons de lavanda. Posicionei as máquinas de fumaça, criando um pântano. Com os refletores de chão e com toda a possibilidade de cenografia, conseguimos criar essa região pantanosa”, comenta César.

A trilha musical de “O Mistério de Irma Vap” é quase cinematográfica, pontua as cenas e as ações dos atores. As escolhas foram feitas em cima da opção do diretor de ambientar a peça no trem fantasma. A referência, mais uma vez, foi o cinema de terror das décadas de 70/80. “Não é tão comum usar a música no teatro desta maneira. Eu bebi bastante a fonte do filme ‘Pague para entrar, reze para sair’, por sugestão do Farjalla. Apesar do clima de terror, o humor está tanto na caricatura de cenário, figurino, atuação dos atores, quanto na música. Então essa caricatura do terror, da tensão, do suspense, traz consigo o humor, porque fica às vezes tão bizarro, que torna a coisa engraçada”, finaliza o diretor musical Gilson Fukushima.