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Combate à Homofobia: Bahia é o segundo estado que mais mata pessoas LGBT

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Nesse Dia Internacional de Combate à Homofobia, celebrado hoje (17), dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) revelam que ainda há muita luta pela frente. Pesquisa realizada mostra que a cada 25 horas uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil.

Isso significa que somos o país mais violento quando se fala desse tipo de crime. Aqui matam-se mais homossexuais do que nos 13 países do Oriente Médio e África onde há pena de morte contra os LGBT.

Somente nos primeiros cinco meses deste ano, 117 gays, lésbicas, trans e bissexuais foram assassinados. Pessoas como o transexual Tadeu Nascimento, 24 anos, estão entre essas estatísticas. Ele foi morto no último dia 5 de maio em São Cristóvão, em Salvador, e seu corpo tinha sinais de espancamento e marcas de tiro na cabeça.

Índices de 2016, divulgados em relatório do GGB, mostram que São Paulo liderou o ranking no número de homicídios com 49 casos; a Bahia em segundo lugar com 32; Rio de Janeiro com 30 e Amazonas com 28. No ano passado foram registrados 343 assassinatos, sendo que 173 vítimas eram homens gays, 144 travestis e transexuais, 10 lésbicas, quatro bissexuais e 12 heterossexuais (amantes de transexuais, parentes ou conhecidos de LGBTs).

Desse total, 31% dos assassinatos foram praticados com arma de fogo e 27% com armas brancas, incluindo enforcamento, pauladas e apedrejamento. A maioria das vítimas (32%) tinha idade entre 19 e 30 anos; menores de 18 anos representam 20,6% e 7,2% eram da terceira idade. Além disso, 64% eram brancos e 36% negros. Entre as travestis e transexuais, 60% brancas e 40% pardas e pretas.

2016 foi o ano mais violento desde 1970, quando o grupo iniciou o levantamento de dados. Da década de 70 para cá, foram contabilizadas 6.882 mortes em todo Brasil. A tabulação é feita com base em matérias divulgadas em sites, jornais e revistas brasileiras, já que não há uma estatística oficial.

Mesmo com números cada vez mais alarmantes, ainda não há uma lei que criminalize a homofobia no país. Por isso, durante todo dia a comunidade debaterá o tema em Salvador e outras cidades. Uma campanha lançada no site Dois Terços traz para a discussão a invisibilidade e o preconceito contra os LGBTs portadores de deficiência. A campanha será estrelada pelo empresário, idealizador do concurso MissUniverse Gay e jogador de basquete, Bruce Cesar, 45.

Sobre o Autor

Camila São José

Jornalista - DRT/Ba 5124

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