Brasil Mercado e Negócios Notícias

Aproximadamente 46% das mulheres estão fora do mercado de trabalho

Foto: Mundo Educação
Foto: Mundo Educação

A crise econômica ocasionada pela pandemia do novo coronavírus gerou um agravamento no mercado de trabalho brasileiro. De acordo os dados mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de mulheres que estavam em atuação registrou uma queda de 53,3% para 45,8% no terceiro trimestre do ano passado, o que corresponde a 7,5 pontos percentuais. Esse, por sinal, é o nível mais baixo desde 1990, quando a taxa ficou em 44,2%, de acordo com o Instituto.

Ao comparar os dados do terceiro trimestre do ano passado com o mesmo período de 2019, o Ipea revela que o impacto entre os homens foi menor. O retrocesso foi de 71,8% para 65,7%, o que significa 6,1 pontos percentuais.

Apesar de agravado neste período de pandemia, a diminuição da atuação feminina reflete um problema que é estrutural: a desigualdade de gênero. Sendo esse um pequeno cenário de toda a problemática que envolve as mulheres e os desafios na carreira em suas lutas diárias, as mulheres ainda precisam lidar com preconceitos machistas dentro dos ambientes de trabalho e empresarial.

Neste aspecto, questionamentos como: “será que ela é capaz”, “a maternidade não vai atrapalhar” ou “quem é o gestor daqui” ainda fazem parte do dia a dia de mulheres em mercados culturalmente masculino.

Como mulher e empresária, Patrícia Maria, gestora da Trihair – Indústria de Cosméticos, sabe bem a importância nas lutas das mulheres para conquistarem os seus espaços no mercado empresarial, afirmando que, por entender a importância do seu papel, enquanto mulher e empresária, a indústria sob sua gestão possui no DNA a importância de destacar a mulher como protagonista de suas conquistas.

“A mulher luta muito para poder conseguir o seu lugar no mercado e ainda sofre com desigualdades e discriminação, mesmo mostrando valor e até estudando e demandando mais tempo que os homens”, frisa.

Para reforçar as lutas e evidenciar as conquistas femininas nos espaços de destaque do mercado de trabalho, a empresária acredita que a união entre mulheres à frente de cargos importantes, precisam enxergar seu papel como representantes para outras mulheres.

Patrícia destaca que a realização de ações afirmativas é uma ferramenta importante para aproximar e impulsionar outras mulheres empreendedoras, principalmente as que estão na fase inicial da vida empresarial. “A realização de movimentos que unam essas mulheres são uma forma de visibilizar seus esforços e pode fazer com que outras enxerguem possibilidades em suas atividades, seja em espaços digitais ou físicos”, ressalta.

Para reforçar as lutas femininas, celebrar as conquistas e se unir a outras mulheres empreendedoras, no último dia 26 de agosto (Dia Internacional da Igualdade Feminina) a empresária realizou uma ação que envolveu mais de 20 mulheres, entre blogueiras e empreendedoras que possuem destaque no mundo digital.

“Pensando em fortalecer a união entre essas mulheres, nós presenteamos cada uma delas com kits repletos de produtos da nossa linha própria de cosméticos, por sua história e representatividade no empreendedorismo feminino. Acreditamos que se sentir bela nos dá ainda mais segurança para alcançar os sonhos”, destaca.

Patrícia Maria, empresária à frente da indústria baiana com mais de 20 anos de mercado, recorre a iniciativas que envolvam outras mulheres e lembra que realizar essas ações se torna um grande reforço na luta pela igualdade de gênero. “Além disso, é um lembrete para que outras mulheres, empreendedoras e empresas que tenham líderes mulheres, saiam da zona de conforto e impulsionem ainda mais o movimento”, finaliza.