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Diário de Gênero: A desvalorização das Ciências Humanas e Sociais: moção de repúdio à matéria do jornal Gazeta do Povo

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Não só como “um espaço aberto à criatividade e à inovação” é feita a Universidade Pública, principalmente quando esses termos são colocados de maneira engessada e conservadora, em que não se reconhece o novo a partir de variadas perspectivas, como acontece nas Humanidades.

A matéria publicada no dia 13 de Junho pelo Jornalista Gabriel de Arruda Castro no site Gazeta do Povo com o título “Dez monografias incomuns bancadas com dinheiro público” traz consigo diversos pré-julgamentos e associa algumas dissertações e teses produzidas dentro da universidade como “gasto de dinheiro público”, sem dar os devidos créditos a estudos emblemáticos e que interferem diretamente na vida de setores subalternizados que durante muitos anos não foram vistos como de relevância para uma pesquisa social.

O seguinte trecho é passível de análise: “a opção por temas pouco ortodoxos, especialmente nos cursos de ciências humanas e sociais”. Ao utilizar o termo ‘ortodoxo’ é observada em que perspectiva é construído o texto, a partir do ponto de vista conservador, ao propor que a ciência deveria seguir fielmente um princípio ou uma doutrina. Ao empregar esta palavra para justificar o gasto de dinheiro público com teses que não seriam de grande relevância acadêmica, observa-se que o jornalista possui pouca aproximação com os estudos sobre a subjetividade, as relações sociais construídas no nosso modelo de produção, dentre outros fatos que explicam e justificam a necessidade das pesquisas citadas.

Outro ponto interessante na matéria é o recorte apenas em teses elaboradas nas Universidades Públicas, muitas do nordeste, alegando o gasto com recursos, contudo, este posicionamento deixa a margem o setor privado, reafirmando a postural neoliberal de mercado, em que o setor privado “se autorregularia”. Porém, se o texto foi elaborado com o propósito de mostrar aos leitores os gastos desnecessários de recursos nas universidades públicas, que geram a escrita desses trabalhos, acaba deixando de analisar que as instituições privadas recebem o repasse de bolsas de estudo e incentivos fiscais que também são produto de impostos pagos por nós.

Para Antônio Carlos Gil, cientista político e social que produz livros de referência para elaboração de projetos e técnicas de pesquisa social, “uma pesquisa é requerida quando não se possui informações suficientes que respondam ao problema proposto, ou que os estudos naquela área estejam defasados, precisando então de novos métodos e técnicas para ordená-los”. Logo, se as 10 teses referidas foram aprovadas em universidades públicas conceituadas com notas boas pelo MEC por bancas constituídas de docentes com reconhecido saber sobre as temáticas, foi porque atenderam todos os pontos necessários para se elaborar um projeto de pesquisa, como formular o problema, construir hipóteses, recolher e analisar dados de campo, fazer o levantamento bibliográfico, dentre outras etapas existentes. Portanto as dez monografias “incomuns”, levantam novos olhares para as categorias trabalhadas, a fim de problematizar cada uma delas.

Matéria do site Gazeta do Povo: http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/dez-monografias-incomuns-bancadas-com-dinheiro-publico-a8q52qvze7py9r8qavfieakyl?ref=aba-mais-lidas

Texto:  Ilana Deiró de Souza – Assistente Social – GIRA/UFBA

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